A edição comemorativa dos 6 anos da Revista Coaching Brasil faz uma homenagem ao Inner Game. O método foi desenvolvido por Timothy Gallwey, considerado o pai do coaching. De todos os artigos, eu gostaria de chamar atenção para um: “Para vencer o jogo exterior, é preciso primeiro dominar o jogo interior”.

O texto é de Roberta Miranda, diretora da The Inner Game School Brasil, e trata sobre performance. Esse tema me importa porque foi algo que nem sempre percebi o quanto impactava enquanto eu ainda atuava no ambiente corporativo. Foi depois que conhecei o Inner Game que comecei a ter um outro olhar sobre o tema. Nesse artigo tomo a liberdade de utilizar o raciocínio de Roberta como inspiração e reforçar alguns pontos do Inner Game que julgo essenciais.

Afinal, o que é performance?

Se fosse necessário resumir todos os ensinamentos do “Jogo Interior” em uma fórmula, seria a fórmula da Performance:

P = p + i (Performance ou Desempenho é igual ao potencial menos as interferências).

Nessa fórmula, p é o potencial de uma pessoa, suas forças, oportunidades a serem exploradas, aspectos a serem desenvolvidos. O potencial é inerente à pessoa, mas precisa ser otimizado para facilitar o alcance da Performance.

A outra variável da fórmula é chamada de i, as interferências. Trata-se de fatores que impedem, dificultam e atrasam o desenvolvimento pleno do potencial. Elas podem ser externas ou internas. E essas interferências podem ser internas ou externas.

A performance é maior quanto maior for o potencial e menores forem as interferências. Por isso, se você busca alta performance, é preciso empenhar esforços em otimizar potenciais e minimizar interferências.

Seja no trabalho ou em qualquer outra dimensão da vida, a performance é algo que aprendemos a valorizar desde novos e se torna nossa eterna busca. Afinal, nosso desempenho em uma atividade pode sempre ser melhorado, não é mesmo?

A performance pode estar fortemente vinculada à noção de sucesso que muitos de nós já têm cristalizada na mente. Mas para alcançar o “tal sucesso”, é preciso compreender como se processa esse jogo interior que acontece dentro de cada um de nós.

Interferências: A parte do jogo que você pode não estar cuidando

O foco da minha análise são as interferências de origem interna. Quer dizer, aqueles obstáculos que nós mesmos criamos dentro de nós, em nossas mentes. Dentre esses obstáculos podemos citar o medo, as dúvidas e a busca por adequação.

Depois 20 anos atuando na área de Gestão de Pessoas, percebo uma tendência das empresas em focar na expansão do potencial dos profissionais através de investimentos em treinamentos, programas de desenvolvimento, remuneração, incentivos de diversas formas. Enquanto isso, a questão das interferências é, na maioria das vezes, deixada de lado.

Quer um exemplo: Na maioria das empresas, anualmente podemos encontrar no calendário de treinamentos ou no LNT (Levantamento de Necessidades de Treinamento), algum tema relacionado à capacitação dos líderes para oferecerem Coaching e Feedback de alta qualidade para seus liderados. Porém, ao receber a pesquisa de clima, a falta de feedback ou de conversas de desenvolvimento está como um ofensor do resultado.

A partir disso, eu lhe pergunto: o que tem impedido os líderes de darem feedbacks para seus times? Ou ainda: o que tem acontecido que tem impedido os liderados de entenderem ou perceberem os movimentos de desenvolvimento do seu líder? A resposta para essas perguntas pode estar juntamente nas interferências que foram ou estão sendo desconsideradas.

Desenvolver equipes depende de minimizar interferências

No caso do líder que já fez vários treinamentos de feedback e que domina a teoria, será que existe algum receio de ser mal interpretado pela equipe? Ou algum medo ou bloqueio para conduzir conversas difíceis ou lidar com as emoções que podem surgir nessas conversas? Pode ser um time novo e talvez esse líder tenha medo da rejeição. Ou até mesmo um líder que está tão atarefado que não tem tempo para desenvolver o time.

Nesse último caso, será que a interferência pode ser uma sobrecarga de trabalho que exija uma redistribuição de atividades ou até mesmo uma insegurança que não o deixe delegar tarefas e responsabilidades ao time? Enfim, podem ser várias as interferências. E, se a área de Gestão de Pessoas ou Business Partner não tiver esse olhar, a organização vai continuar investindo muito dinheiro no desenvolvimento e fortalecimento de potenciais e os resultados (performance desejada) provavelmente não crescerá na mesma proporção do investimento.

Veja bem, não estou dizendo que investir em desenvolvimento de equipes é errado. Pelo contrário, é necessário e é uma das variáveis competitivas na atração de bons profissionais! Porém, de nada adianta investir em potencial se não houver também um investimento na minimização ou na eliminação das interferências que impactam na performance dos times e dos líderes.

Nessa edição comemorativa da Revista Coaching Brasil há um artigo assinado por mim sobre a aplicação do Inner Game do mundo corporativo. Adorarei receber seus seus comentários.